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Psicologia Clínica

Postado por Psicologa Fernanda Nascimento terça-feira, 7 de fevereiro de 2012






A Psicologia Clínica é um campo complexo que intervém essencialmente ao nível da saúde mental. Apresenta como finalidade a prevenção, o diagnóstico, o tratamento, o aconselhamento e a ajuda a pessoas com problemas de natureza emocional e comportamental, com dificuldades, perturbações e conflitos psicológicos.
Os problemas podem variar desde dificuldades simples de ajustamento e relacionamento social até casos mais graves de stress, depressão, ansiedade, disfunções sexuais, paranoia e outras doenças mentais. Podem ser causados por várias razões como a perda de alguém que nos era próximo e com quem mantínhamos uma relação bastante forte, o divórcio, o desemprego, e muitas outras situações que envolvam a vida, a família, os amigos, o meio escolar, as relações amorosas…

A Psicologia Clínica tem um objectivo bastante ambicioso: estudar o indivíduo em profundidade, na singularidade da sua história e no caso concreto que esse indivíduo apresenta. Trata-se da especialização mais numerosa. Em 1970, de aproximadamente 30.000 sócios da Associação Americana de Psicologia, aproximadamente 29 por cento eram psicólogos clínicos.
A intervenção clínica pode ocorrer em ambientes tão diferentes como a clínica privada, centros de saúde, hospitais, internatos, prisões, escolas…


Emergência do conceito de psicologia clínica – os seus fundadores

Várias foram as contribuições para criar o “corpo” teórico, prático e técnico da psicologia clínica, e o verdadeiro início da disciplina. A psicologia clínica foi-se tornando numa área vigorosa e ampla da psicologia aplicada, numa renovação constante que expressa o seu dinamismo.
Três autores principais são considerados os seus fundadores, ainda que a sua acção não tenha sido imediatamente seguida − Witmer − ou que tenham utilizado muito pouco o próprio termo – Janet Freud.
Lightner Witmer

História de vida

Lightner Witmer nasceu em 1867 na Filadélfia, Pensilvânia.
Estudou na Universidade da Pensilvânia, onde, inicialmente, pensou seguir uma carreira em Direito, mas rapidamente optou por seguir Psicologia. Mais tarde, Witmer obteve o seu doutoramento sobre Wilhelm Wundt, na Alemanha. Depois de completar o seu trabalho, Witmer regressou à Universidade da Pensilvânia onde se dedicou à pesquisa laboratorial, surgindo o seu interesse, em 1896, por uma psicologia “prática”. Neste mesmo ano abriu a primeira clínica psicológica e mais tarde publicou a obra “Clínica Psicológica” onde explicou o seu trabalho dos últimos dez anos. 

Em 1956 Lightner Witmer vem a falecer, após uma vida de grandes trabalhos, de intensas investigações e de uma incansável dedicação
.

O seu contributo

Lightner Witmer, considerado o principal fundador do termo “psicologia clínica”, funda, em 1896, nos Estados Unidos da América a primeira Clínica Psicológica, onde juntamente com outros psicólogos desta época (que se auto-intitulavam de “clínicos”) trabalhavam, principalmente, com crianças que apresentavam problemas com a aprendizagem ou com a escola, e não com doentes ou indivíduos com perturbações mentais. As crianças com que Witmer trabalhava não eram “anormais”, apenas se encontravam-se num estádio de desenvolvimento mais baixo que as restantes.

Witmer considerava que as salas de aulas, o tribunal de menores, e as ruas eram o grande laboratório de psicologia, ou seja, o grande campo de aplicação.
Visto que o termo “clínica” provinha da medicina, a tendência da época era pensar que a psicologia clínica era uma psicologia médica. Mas Witmer realçava a ideia contrária justificando que a escolha do termo “clínica” se deveu ao facto deste ser o melhor termo que encontrou para descrever o carácter do método que desenvolveu.

A psicologia clínica era, no tempo de Witmer, um protesto contra a psicologia que derivava de especulações filosóficas. Para Witmer, a psicologia clínica era uma psicologia da prática em contexto, isto é, uma psicologia praticada em crianças reais com problemas reais.
Embora tivesse apresentado esta sua nova “disciplina” à Associação Psicológica Americana (APA), empregando os termos “psicologia clínica” e “método clínico”, a sua acção teve pouca apreensão, já que foi apenas em 1919 que a APA abriu uma secção clínica, cujos psicólogos clínicos tinham como tarefa o estudo dos casos individuais, a contribuição para o diagnóstico, a realização de avaliações e as terapias individuais ou de grupo.
Pierre Janet
História de vida

Pierre-Marie-Félix Janet, conhecido simplesmente como Pierre Janet, nasceu em 1859 e faleceu em 1947, em Paris. Foi um psicólogo e neurologista reconhecido tanto na França como nos Estados Unidos, por desenvolver o tratamento clínico das doenças mentais. Determinado a ser professor, ingressou na escola em 1879. Leccionou, de 1882 até 1889, nos liceus de Châteauroux e do Havre. Durante este período preparou a sua tese de doutoramento em psicologia, a qual viria a ser apresentada em 1889.
Jean-Martin Charcot interessou-se pelo trabalho de Janet e como dirigia o hospital Salpêtrière decidiu criar para ele um laboratório de psicologia experimental naquela instituição. No mesmo ano, em 1889, Janet iniciou os seus estudos em Medicina, trabalhando com Charcot.

 Na Salpêtrière, Janet completou a tese para o seu diploma de médico, publicada em 1892.
Para além de dirigir o laboratório de psicologia experimental, Janet continuou a leccionar filosofia, inicialmente no Colégio Rollin e depois no liceu Condorcet, até 1897.
Em 1898 tornou-se  professor de psicologia experimental e cinco anos depois passou a ensinar no Colégio de França, onde permaneceu até 1936. Além de ensinar, Janet também era médico praticante especializado em desordens mentais e nervosas.
Janet escreveu várias obras, realizou vários estudos e experiências que o tornaram conhecido em todo o mundo.  As suas ideias foram expostas no exterior, principalmento no meio psiquiátrico nos Estados Unidos.

O seu contributo

Pierre Janet falou muitas vezes de psicologia clínica. Foi em 1887, no livro Neuroses e Ideias Fixas que pela primeira vez mencionou este termo num sentido próximo do da psicologia médica, contrariamente a Witmer. Este diz que a psicologia clínica se destina aos médicos que se ocupam de doentes mentais, mas cabe aos filósofos construí-la. Utilizou ainda o termo em Da Angústia ao Êxtase, em 1926, e anunciou uma recolha de artigos (que nunca chegou a ser publicada), cujo título teria sido Misturas de Psicologia Clínica. É, então, o conjunto da sua obra que constitui uma sucessão de trabalhos de psicologia clínica.

Sigmund Freud
História de vida

Sigmund Freud nasceu em 1856 em Freiberg, uma pequena cidade da Morávia.
Tinha quatro anos quando os seus pais se fixaram em Viena, acabando por ficar nesta cidade quase toda a vida.
Na escolha da sua carreira Freud hesitou um pouco. Sentiu-se atraído, durante algum tempo, por Direito mas decidiu-se, finalmente, pela Medicina. Assim, aos dezassete anos inscreveu-se na Universidade de Medicina de Viena. Interessou-se bastante pela investigação prática e trabalhou com alguns anatomistas, nomeadamente, Brucke e Meynert, em investigações acerca do sistema nervoso. Em 1881, aos vinte e cinco anos, adquiriu o grau de doutor em Medicina. Pensou, então, em continuar com as suas pesquisas mas, seguindo os conselhos de Brucke, optou por entrar como interno para o hospital e em 1885 foi aceite como ajudante em neuropatologia. 

Nesse mesmo ano, Freud viajou até Paris para poder seguir os cursos de Charcot em Salpêtrière mas, após alguns meses, regressou a Viena fazendo um desvio por Berlim, onde se encontrou com Kossowitz, especialista em doenças nervosas das crianças.
Em 1886 casou-se e estabeleceu-se como médico especialista em doenças nervosas.

Durante cerca de cinquenta anos, Freud pesquisa e trabalha ininterruptamente criando um novo método completamente desconhecido, a Psicanálise.
Associa harmoniosamente a sua vida profissional à sua vida social, tendo seis filhos.
Os anos correm lentamente e aos setenta anos descobre que sofre de problemas cardíacos e, em 1939, a sua saúde piorou falecendo devido a um ataque cardíaco.

 O seu contributo

Sigmund Freud, por sua vez, utiliza o termo “psicologia clínica” numa carta a Fliess, em 30 de Janeiro de 1899: “agora a ligação com a psicologia, tal como se apresenta nos estudos (sobre a histeria), sai do caos. Percebo as relações com o conflito, com a vida, tudo o que eu gostaria de chamar de psicologia clínica.

Este termo encontra-se ausente na sua obra, mas são as suas preocupações, o seu método e os seus procedimentos que podem ser qualificados de “psicologia clínica”: ele representa um modelo devido à referência que faz à análise de casos individuais na produção das teorias. A sua obra é uma fonte de inspiração devido à sua preocupação em compreender os fenómenos psicológicos, o método, e devido ao evidenciar das particularidades da relação entre o sujeito e o observador.
Desenvolvimento da psicologia clínica como prática terapêutica nas perturbações mentais

O termo “psicologia clínica” tem sido utilizado, na linguagem do senso comum, para referir os psicólogos que trabalham ou que estão orientados para o exercício da psicologia com pessoas com perturbações mentais. Todavia, a história da psicologia clínica, nesta perspectiva, é relativamente curta.

Com efeito, é em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, que se fundou uma organização que visava dar apoio aos militares afectados pela guerra, designada por Administração Veterana. É nesta altura que a APA se junta a esta organização procurando desenvolver padrões e centros de treino para os psicólogos clínicos. É também nesta data que a Administração Veterana e o Instituto Nacional de Saúde Mental começam a disponibilizar verbas para a formação da psicologia clínica numa vertente orientada para as perturbações mentais.







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Sou Funcionária Pública Federal e Psicóloga Graduada na Faculdade CESMAC, especializada nas áreas Jurídica, Clínica e Escolar. Pós Graduada em Vigilância à Saúde, pela Universidade Federal de Alagoas- UFAL.
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